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  • 03/03/2010
    Governos de SP, MG, RS e DF desviaram R$ 6,5 bi do SUS
     
    Auditoria do Ministério da Saúde em 2006 e 2007 revelou uso de recursos federais em outras funções

    O Departamento Nacional de Auditorias do Sistema Único de Saúde (Denasus), órgão vinculado ao Ministério da Saúde, descobriu que nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, governados pelo PSDB, e no Distrito Federal, na gestão do DEM, foram desviados cerca de R$ 6,5 bilhões de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), para o mercado financeiro.

    As auditorias realizadas, nos 26 estados e no Distrito federal, “sem alarde e com um grupo reduzido de técnicos”, como afirmou o jornalista Leandro fortes, em matéria publicada na revista CartaCapital, edição de 3 de março de 2010, tiveram início no final de março do ano passado e foram entregues ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, em 10 de janeiro deste ano.

    A intenção do Denasus era saber quanto cada estado recebeu do SUS e o que cada um fez com os recursos federais. Os auditores constataram então, na maioria dos estados visitados, o não cumprimento da Emenda Constitucional nº 29, de 2000, que obriga a aplicação em saúde de 12% da receita líquida de todos os impostos estaduais.

    Não obstante, ainda de acordo com o jornalista Leandro Fortes, “a maior parte dos recursos retidos em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul diz respeito às áreas de vigilância epidemiológica e sanitária, aí incluído o programa de combate à Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Mas também há dinheiro do SUS no mercado financeiro desses três estados que deveria ter sido utilizado em programas de gestão de saúde e capacitação de profissionais do setor”.

    São Paulo
    No caso do estado de São Paulo, governado pelo presidenciável José Serra (PSDB), o jornalista descreve que “segundo dados da auditoria do Denasus, dos 77,8 milhões de reais do SUS aplicados no mercado financeiro paulista, 39,1 milhões deveriam ter sido destinados a programas de assistência farmacêutica, 12,2 milhões a programas de gestão, 15,7 milhões à vigilância epidemiológica e 7,7 milhões ao combate a DST/Aids, entre outros programas”.

    De acordo com o fac-símile publicado pela revista, somente entre 2006 e 2007, “o Governo do Estado de São Paulo além de não aplicar os 12% exigidos pela EC/29, ainda inseriu no cômputo do cálculo do índice exigido pela EC/29/2000, várias despesas alheias (...) no montante de R$ 2.217.175.450,21”. “O problema da saúde pública (em São Paulo) não é falta de recursos financeiros, e, sim, de bons gerentes”, registraram os auditores.
    A lei federal até estimula esse tipo de aplicação, mas exige que isso seja feito antes dos prazos de utilização da verba, que chega no máximo a 90 dias, o que, de acordo com os auditores, não está sendo feito por estes governantes .

    O outro estado, onde foram registrados, pelo Denasus, os maiores desvios, foi o de Minas Gerais, governado por Aécio Neves (PSDB), que desviou para o mercado financeiro, entre 2006 e 2007, um valor próximo ao de São Paulo, chegando, também, a cerca de R$ 2,2 bilhões.
    Já o Rio Grande do Sul, governado pela tucana Yeda Crusius, “o prejuízo foi estimado em 2 bilhões de reais”, afirmou Fortes.

    Distrito Federal
    No DF, durante o governo de José Roberto Arruda (DEM), que seria o vice de José Serra antes do escândalo do panettone, em vez de investir o dinheiro do SUS no sistema de atendimento, o ex-secretário da Saúde local Augusto Carvalho aplicou tudo em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) represando a verba. Em março do ano passado, essa aplicação chegou a R$ 238,4 milhões.

    Ao ser informado sobre o teor das denúncias feitas pelos auditores do Denasus, em 15 de fevereiro, o presidente do Conselho Nacional de Saúde, Francisco Batista Júnior, pediu que cópias do relatório fossem enviadas ao todos os conselheiros e pôs a questão em pauta na reunião da mesa diretora, realizada em Brasília, na terça-feira 23. “Tem muita coisa errada mesmo”, declarou Júnior.
    Hora do Povo

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